O Laboratório de Antropologia dos Processos de Associação (LAPA) é sediado no Departamento de Ciências Sociais (DCSo) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), sob a responsabilidade do Prof. Pedro P. Ferreira. A proposta do laboratório é fomentar pesquisas que, em busca de uma melhor apreensão dos processos de associação, envolvam tanto experimentação conceitual quanto fundamentação empírica.

Recolocado no centro das preocupações de cientistas sociais de diversas áreas pelos escritos de Bruno Latour, o estudo dos processos de associação exige a cuidadosa consideração das categorias e dos conceitos usados pelo investigador/analista. Por um lado, isso o aproxima de propostas “metassociológicas” como a Etnometodologia e de metodologias empíricas e documentais como a etnografia. Por outro lado, essa preocupação conceitual também aproxima o paradigma associativo de algumas vertentes filosóficas que se dedicaram a pensar a diferença, a individuação e a associação propriamente dita.

No geral, o estudo dos processos de associação privilegia a dimensão interacional e contextual das práticas sociais, ou seja, as maneiras como sociedades são concretizadas e vividas de diferentes maneiras nas práticas cotidianas dos agentes em diferentes contextos ou condições. Trata-se de um enfoque mais interessado nos processos de sociogênese do que na manutenção de ordens sociais já consolidadas. Trata-se, enfim, de um esforço para conhecer novas (ou renovadas) maneiras de coexistir sem reduzí-las aos conceitos e categorias já marcados por pressupostos sobre “o ser humano” ou “a sociedade”.

Mais especificamente, o estudo dos processos de associação toma como unidade de análise a ação associativa. Por ação associativa, entende-se qualquer ação categorizável, seja como uma associação de diferentes meios pela propagação de uma variação, seja como uma associação de um meio específico pela atualização de eventos de covariância. A ação associativa se manifesta, portanto, em duas modalidades: como composição de uma ou mais linhas de ação associativa pela propagação de uma variação por diferentes meios; e como associação de linhas de ação covariantes em um meio. Em ambos os casos, trata-se de rastrear um processo de associação e torná-lo acessível à análise, mas em um caso enquanto delineamento de uma ação associante e no outro enquanto especificação genética de uma associação.

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Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de São Carlos (PPGAS/UFSCar).
Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (DCSo/UFSCar).

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