ProTeMA é a abreviação da expressão “processos tecnicamente mediados de associação”, uma variante específica dos processos de associação. Dentro do campo aberto pelo paradigma associativo nas Ciências Sociais, essa modalidade particular de associação se destaca como especialmente acessível à análise, merecendo assim uma seção específica dentro do Laboratório de Antropologia dos Processos de Associação (LAPA).

Processos tecnicamente mediados de associação (doravante: ProTeMAs) podem ser definidos, a princípio, como aqueles processos de associação que têm, entre seus associantes, máquinas técnicas.

O interesse do estudo sócio-antropológico dos ProTeMAs reside sobretudo em três aspectos. Primeiro (o aspecto conceitual), do ponto de vista de uma ontologia relacional, o ser humano só pode ser definido a partir de seus vínculos e de suas relações com um meio socioambiental, de forma que pesquisar os ProTeMAs é, necessariamente, pesquisar o processo de humanização em uma sociedade tecnológica.

Segundo (o aspecto metodológico), o estudo dos ProTeMAs coloca o pesquisador em uma perspectiva privilegiada no que se refere à verificabilidade de seus dados e à fundamentação empírica de suas análises. Mediações técnicas materializam, na forma de registros automáticos, rastros dos processos de associação dos quais participam, objetivando (e possivelmente tornando mensuráveis e quantificáveis) processos que, sem isso, permaneceriam subjetivos e inefáveis.

Terceiro (o aspecto analítico), o estudo dos ProTeMAs geralmente envolve a questão da eficácia da ação associativa, contribuindo para a atual refundação do funcionalismo nas Ciências Sociais. Toda máquina possui funções, designáveis como “fazer x”, i.e., como um certo emprego de meios para alcançar certos fins. Máquinas diferentes que compartilhem uma mesma função se tornam assim comparáveis em termos de sua eficácia relativa. Além disso, o enfoque funcionalista inclui a investigação dos desvios de função, eventos em que as máquinas técnicas se tornam peças de máquinas desejantes/sociais.

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Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de São Carlos (PPGAS/UFSCar).
Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (DCSo/UFSCar).

Bibliografia:

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